Explicando erros que nada importam no contexto

Isso aqui se tornou a minha privada, sentimental ou não, geralmente de vômitos e cagadas cheios de odio, tristeza e algumas lagrimas secas de amor. This has become my sentimental(or not) toilet bowl, usually vomit and shit filled with hate, sadness and some dry tears of love.

6.5.08

Somos todos irresponsáveis

Sentado na cama, ansioso e inquieto me levanto, ascendo um insenço e tomo minha ultima doze de conhaque. Abro uma fresta da cortina e vejo pela janela a rua, quero ter a certeza que ninguém está me vigiando, então confiro todas as minhas malas, documentos, pastas, dinheiros. Sento novamente na cama e tiro o telefone do gancho que está no criado-mudo, disquei com calma, não podia errar. Enfim alguém do outro lado puxa o telefone e eu vou logo me prontificando:

- Alô?

- Fala!

- Como assim ”fala!”??? ce ta achando que ta falando com quem?

- Com o cara que me deve...

Pausa. Um sorriso se abriu em meu rosto e continuei:

- Acho que quem deve algo aqui é você, sabe do que estou falando, não seja hipócrita!

- Nossa, mas quanta audácia!

Pausa. Senti uma forte respiração profunda do outro lado, me pareceu algo saudosista, movimentos, papéis, e novamente uma forte e profunda respiração e do outro lado continuou enquanto minhas mãos suavam:

- No telefone você é tão macho! Sabe que adoro esse tipo de complexo...

- Não fuja do assu...

Repentinamente fui interrompido:

- Complexo de masculinidade, de poder, isso me excita!

Pausa.

- Pronto? Já fez o seu showzinho? Com certeza está com alguém, e faz isso só pra demonstrar superioridade na conversa, sabe que isso tem que ser confidencial, nosso plano está prestes a se realizar, e ninguém pode ficar sabendo.

- É eu sei, mas sabe também que eu faço tudo do jeito que combinamos, não estou com ninguém e ninguém sabe do nosso plano, bom, pelo menos que eu saiba...

- Enlouqueceu? Se souberem, provavelmente já estão fazendo algo a respeito, e não conseguiremos. É agora ou nunca! Estamos na ultima parte do plano, já está com tudo pronto?

- Fica tranqüilo, é agora! Está tudo pronto!

Pausa. Passo a mão na cabeça e sorriu de leve, com firmeza faço meu ultimo juramento:

- Juro que te mato se me deixar na mão mais uma vez! Sabe que o faço!

- Acho que você enlouqueceu! Não brinque comigo, seu safado! Eu te pego!

- Ui! Então vem me pegar!

Pausa. Ouço barulho de dedos sendo estralados.

- Estarei aí em quarenta minutos.

- Não perco por esperar.

Ainda com o telefone na orelha o sinal de híbrida soua. Ponho o telefone no gancho e preparo mais uma doze, e ascendo mais um.

Depois de mais ou menos quarenta minutos, meio dormindo e meio acordado, levei um susto com o barulho do carro lá fora, levantei, abri um fresta da cortina, chegou. Fui olhar de todos os ângulos da janela pra ver se não estava sendo seguido. Não, não estava!

Esperei até que a maçaneta se abrisse sozinha, e então ela se meche, e a porta se abre.

Pausa. Antes que eu visse a figura meu coração batia forte, tão forte quanto a primeira vez que a beijei, fazia uns três ou quatro anos que não nos víamos, quase vomitei.

A porta se abre por completo e vejo sua imagem enquadrada, não tão bem enquadrada, pois ela é baixa, ela batia um pouco a cima de meus ombros, mas estava dentro do quadro da porta, com metade do cabelo preso e a outra metade solto que iam pra mais da metade das costas, negros e lisos, usava brincos de argola, eram simples mas em seu rosto mais pareciam jóias preciosas. Seu rosto meio infantil, com nariz um pouco arrebitado, abriu um sorriso esplendido, espetacular, lindo, ela era uma das coisas mais lindas que eu vi depois desses três ou quatro anos. Ela fechou e trancou a porta, correu ate o outro lado do quarto e me deu um abraço demorado, depois me olhou nos olhos e pediu desculpas, o seu queixo tremeu e vi escorrer uma lágrima dos seus olhos. Limpei a lágrima que escorreu pelas suas bochechas lisas, rosadas e levemente arredondadas, e beijei aqueles lábios carnudos e brilhantes pelo “gloss” e sempre que ela me beijava, ela segurava no meu pescoço tão fortemente que muitas vezes chegava a me machucar, mas isso é só um detalhe, então fiz com que ela deitasse na cama.

Pausa. Aqui vocês já sabem o que acontece.

Depois de umas 2 horas, começamos a nos arrumar definitivamente:

- Você chegou em menos de quarenta minutos hein?

- Você me faz isso! É culpado pelo meu amor!

- Não me culpe pelo seu amor, você é a culpada pelo seu amor.

- Você é o meu amor, é responsável por ele.

- Então somos todos irresponsáveis.

Um beijo demorado, um abraço.

Entramos no carro e fomos embora. Pra onde? Qual era o nosso plano? O que iríamos fazer? Onde estávamos? Quem devia pra quem? Devia o que?

Só Deus sabe!

4 comments:

Alexandre Gentil said...

Interessante o conto..

A descrição dos personagens e do que faziam ficou melhor que o diálogo, mas curti!

Daniel said...
This comment has been removed by the author.
Daniel said...

Bom fluxo e escrita.

só achei meio estranho vc acender um "incenso"

Régis Eleutério M. Brandão said...

uahuahuahauhauh